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Bonequinha de 50 anos – Breakfast at Tiffany’s

O pretinho básico, óculos escuros de última geração, joias, piteira. Tudo a serviço da silhueta esbelta da atriz Audrey Hepburn; de seu carisma de menina-mulher; e de seu talento inesgotável. O filme mais elegante de todos os tempos completou 50 anos este ano: Bonequinha de luxo, que estreou em 5 de outubro de 1961, é marco de uma cidade e de uma era. A cidade, claro, é Nova York, onde ocorreu o lançamento antes de qualquer outro lugar. A era, a virada dos anos 50 para os 60 do século passado, quando a revolução dos valores era irreversível, mas o mundo ainda tentava preservar pelo menos as aparências de que a velha ordem permanecia em vigor. A história demonstra que não adiantou muito, que as aparências ruíram. E Bonequinha de luxo ficou como registro de tudo aquilo, puro glamour a respeito de uma sociedade que apodrecia diante de nós, sem que percebêssemos.

A própria história da produção de Bonequinha de luxo é sintoma daquele confronto entre transformação e aparências. A Paramount queria um projeto moderno, que falasse dos novos tempos, novos costumes, novas pessoas. Seus executivos se encantaram pelo romance que Truman Capote publicara em 1958, Breakfast at Tiffany’s (literalmente, Café da manhã na Tiffany’s). Capote era na época o sujeito que Nova York mais adorava odiar, escritor e jornalista de língua e caneta mais ferinas que os costumes aceitavam, cinismo absoluto, sinceridade incômoda. O estúdio comprou os direitos sobre Breakfast at Tiffany’s porque era o projeto de seus sonhos. Só que havia um problema: era impossível filmá-lo dentro dos padrões morais que Hollywood adotava e que representavam uma espécie de acordo com os espectadores conservadores, suas igrejas, suas “ligas de decência”.

Basta uma sinopse da história para perceber o problema. A heroína Holly Golightly é uma garota de origens interioranas que tenta ascender socialmente em Nova York se ligando às altas rodas. A moça vive precariamente e patrocina sua tentativa de ascensão graças aos favores de homens ricos. Seu grande sonho é se casar com um deles. Capote sempre brincou que Holly não era uma prostituta, mas uma gueixa à maneira japonesa. Mas até essa brincadeira fala, antes de tudo, da dificuldade de estabelecer categorias morais no mundo moderno.

Retrato de época George Axelrod, roteirista de Bonequinha de luxo, é frequentemente acusado de haver diluído a força que tinha Breakfast at Tiffany’s. A acusação é tola. O filme simplesmente não existiria, pelo menos naquela época, se fosse um discurso pelo menos análogo ao de Capote, nas ações que descreve ou nas ideias por trás delas. A crueza e o cinismo do escritor só seriam aceitos pelo cinema comercial quase uma década depois, após John Schlesinger propor algo semelhante em seu melhor filme, Perdidos na noite. Axelrod praticamente reescreveu Bonequinha de luxo, tentando encontrar estruturas que fossem moralmente palatáveis para o público de sua época, sem deixar de significar a realidade cruel de Capote. A mais evidente dessas mudanças é temporal. Enquanto o romance se passa nos anos 1940, época que o público identificava com a “velha América” (ou seja, o autor insinuava que o vício era inerente à sociedade americana e não à mudança nos tempos e nos costumes), o filme traz a história para os anos 1960, o que acabou por configurá-lo como crônica de seu tempo.

Mas há outras diferenças, além das transformações no enredo, como a aura de romance em todas as situações. No fim das contas, Axelrod usou as estruturas que o público médio de cinema conhecia para dizer coisas que ele nunca tinha ouvido. Se o filme é menos ousado que o romance (Capote propôs nova forma para seu novo conteúdo), não é menos eficiente em sua combinação de comédia inteligente, drama de costumes e história de amor.

E há, claro, a música. Uma geração inteira viveu e dançou ao som da canção Moon River, de Henry Mancini. Não queriam ser Holly, mas queriam viver como ela. É daquelas canções que vão além de sua época, e carregam consigo as sensações dela. Ouvir Moon River até hoje é experiência que nos lembra que virão dias melhores, que tudo passa, que nada é tão importante. O mundo pode ser cheio de falhas, não só as evidentes, mas também as que insistimos em esconder. Não importa: enquanto alguém escutar “Moon River wider than a mile, I’m crossing you in style someday”, permitir que o corpo balance na cadência da canção e se deixar transportar em espírito para lugares melhores, será possível olhar para todas as Hollys do mundo com carinho, tolerância, compreensão. E sorrir para elas, e se apaixonar por elas, pareçam-se ou não com Audrey Hepburn.

Por trás do glamour

Poucos filmes têm tantas histórias saborosas de bastidores como Bonequinha de luxo. Um prato cheio para Sam Wasson, autor de Quinta Avenida, 5 da manhã – Audrey Hepburn, Bonequinha de luxo e o surgimento da mulher moderna, que está sendo lançado no Brasil pela Jorge Zahar Editor (268 páginas, R$ 39). O livro traça um perfil de vários personagens em torno do projeto e revela idiossincrasias de Truman Capote (que queria Marilyn Monroe como estrela), da figurinista Edith Head (que teve que engolir a escolha de Givenchy, que se tornou símbolo de elegância com o filme) e do diretor Blake Edwards, responsável, de acordo com o autor, pelas doses de humor refinado do filme. E revela que Audrey, ao contrário da desmiolada Holly, quem diria, se dividia entre o set e o cuidado com a família. Um livro charmoso. Como a fita.

Na memória

Henry Mancini venceu dois Oscars por Bonequinha de luxo: canção (Moon River) e trilha sonora. O filme também foi indicado ao prêmio em outras três categorias: atriz (Audrey Hepburn), direção de arte e roteiro adaptado.

Segundo Truman Capote, a atriz perfeita para interpretar Holly Golightly teria sido Marilyn Monroe. Ela chegou a ser convidada para o papel, mas recusou, temerosa do efeito que uma personagem que praticamente se prostituía teria sobre sua carreira, que àquela altura já balançava.

Bonequinha de luxo marcou o início do apogeu na criação de seu diretor, Blake Edwards (foto). Ele trabalhava na indústria de cinema e TV desde o início dos anos 1950, mas nunca tivera a chance de realizar um projeto de vulto. A partir do sucesso de Bonequinha de luxo, Edwards foi capaz de convencer a indústria do humor, timing e conteúdo crítico de seus filmes. O resultado foram obras-primas como as comédias Um convidado bem trapalhão, A pantera cor-de-rosa e A corrida do século, ou um drama do porte de Vício maldito.

[fonte: divirta-se.uai – Marcello Castilho Avellar – EM Cultura]

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Cadeira de Cinema – Rio

Inaugurando uma nova seção do blog, a “Cadeira de Cinema” que é onde pretendo deixar dicas de filmes que gostei, ou que estão sendo super comentados.

E a sugestão da semana, pra quem ainda não viu (!): RIO.

(desculpe quem não gosta de animações, mas eu adoro e não acho que é só pra criança)

Rio é uma gracinha de filme! Conta a história de uma Arara Azul que foi contrabandeada e levada aos EUA, porém se vê tendo que voltar ao Brasil pois é o único macho restante, e , para que a espécie não entre em extinção tem que conhecer a última fêmea que está no Rio.

Achei o filme, apesar de um pouco esteriotipado, bem fiel à realidade brasileira mostrando o tráfico de animais silvestres, a vida nas favelas e até mesmo o desfile de carnaval.


Quem gostou de “Era do Gelo” tem que ir ver “Rio” pois é dos mesmos criadores e eles arrasam mais uma vez.

Pra quem quer ver uma crítica de quem entende mais do assunto tem esse blog aqui.

Chamem os amigos, namorado(a) ou invente a desculpa de levar os sobrinhos, compre a pipoca e boa sessão!