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10 anos – “Para ficar na história” ou “Para refletir”

Gente, eu lembro do dia 11/09/2001. Eu cheguei da escola e vi na TV a torre atingida – mas como era nova, não entendi nada e não dei a minima, do tipo “morro de dó mas tô nem aí”. Como várias pessoas da minha geração, achei ruim porque a programação da TV, principalmente desenhos e programas infanto-juvenis foram suspensos e não passou mais nada por vários dias.

Hoje eu entendo o que isso representou para o mundo. Foi um marco na história e arrisco dizer que dividu o mundo entre antes e depois do 11/09. Isso porque passou a se falar em terrorismo frequentemente, porque mais atentados surgiram, porque desencadeou uma guerra, um pânico, um medo…

Abalar as estruturas da nação mais poderosa do mundo era desestablizar o mundo inteiro “de tabela”. Se os EUA estavam vulneráveis, quanto mais nós, reles mortais.

Hoje, os projetos de reconstrução do WTC representam uma reafirmação política. Junto com os prédios, pretende-se reerguer a imagem de soberania e superioridade dos EUA. Cairam 2 predios, levantem 4. O dobro de força.

Novo World Trade Center

(ps.: eu me pergunto: quem é que vai ter coragem de trabalhar aí hem? você teria?)

Milhares de mortos, crianças que cresceram sem família, lares que perderam o sentido são realmente comoventes e inequecíveis.

Contudo, não podemos esquecer dos milhares de mortos, das crianças que cresceram sem família, e dos lares que perderam o sentido em consequência das guerras no Afeganistão e no Iraque.

Em 10 anos de guerra, será que o número de mortos no oriente médio não supera os menos de 3 mil mortos nos EUA? Não que 3 mil sejam poucos, mas por que se lembra de um só lado da história?

O país que ficou estarrecido com o terrorismo e revoltado com a morte de milhares de inocentes fez o mesmo com seu adversário.

Pode até ser que tenha quem considere isso justo, “olho por olho, dente por dente”; eu, particularmente, acho que não ha justificativa para sacrificar vidas inocentes. Acho que aquele que faz o mesmo que o inimigo e se rebaixa à atitude que diz ser tão desprezível se torna tão desprezível quanto.

Fatos que vão ficar na história.

Fatos para refletir.

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Boa Vizinhança

Aproveitando que falei do filme Rio, lembrei de falar de algo que acho importante e que tenho pensado muito.

Sabe como nasceu o Zé Carioca?

Era 1929 e o Crash da Bolsa de NY abalou as estruturas do mundo inteiro. Os EUA precisavam reerguer sua economia e fortalecer sua imagem perante o cenário mundial. Então um presidente muito esperto de nome Franklin Delano Roosevelt nos Estados Unidos implementou uma política pública de relacionamento com a América Latina, a chamada Good Neighbor Policy ou Política de Boa-Vizinhança.

Essa política era não apenas político-estratégica, mas também econômica, com o fim de fazer frente à força que a Europa tinha no cenário mundial.

Roosevelt e Vargas

Econômicamente falando, o discurso de solidariedade e cooperação tinha como plano de fundo a formação de novos mercados além de garantir o fornecimento de matérias-primas. Em 1939  o presidente Roosevelt veio fazer uma visita “cordial” ao Brasil, passando por aqui novamente em 1943.

E não por coincidência, foi nessa mesma época em que ele encomendou para Walt Disney a criação de um desenho que representasse o Brasil e pudesse gerar identificação entre as duas nações.

Assim sWalt Disney e Zé Cariocaurgiu, em 1940, como encomenda da política de boa vizinhança, o Zé Carioca,  papagaio malandro e diveritido que deveria representar o esteriótipo do brasileiro.

Aí vocês me perguntam: o que isso tudo tem a ver?

Depois de tudo isso que contei, não dá um sensação de “já vi este filme em outro lugar”?

Vou contar outra história:

2009: Ano em que o mundo inteiro enfrentou uma terrível crise financeira, intimamente relacionada com a economia estadunidense. Mesmo ano em que o Brasil anuncia ter encontrado Petróleo no pré-sal.

2011: Conflitos no Oriente Médio (grande exportador de petróleo). Mesmo ano em que o presidente Barack Obama visita o Brasil. Mesmo ano em que é lançado o filme Rio.

Mais uma vez, “o que tudo isso tem a ver”?

Franklin Delano Roosevelt

Resumindo: Quebra da bolsa, interesses econômicos, criação de identidade comum entre os países, visita do presidente dos EUA ao Brasil. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Esse video do Jornal Hoje fala das visitas dos Presidentes norte-americanos ao Brasil. É curtinho, vale ver.