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Reavivando o blog… – “The Phantom of the Opera – 25th-anniversary”

O blog esteve abandonado por algum tempo. Completou um ano e como eu estava super desanimada com o ritmo que andava, nem me animei a postar alguma coisa.

Porém, algo me fez checar o painel e, para minha surpresa, continuava havendo visitas e acessos, ainda que eu não tivesse postando nada novo. Bom, não sei o motivo, talvez realmente precise de um pouco de tempo para o blog “engrenar”. De qualquer maneira, resolvi reavivá-lo.

E para marcar o retorno, vou comentar de um filme lindo que vi na última terça-feira: “The Phantom of the Opera – 25th-anniversary“.

O romance francês escrito por Gaston Leroux foi adaptado aos palcos em 1986 e bateu recordes de permanência na Broadway e em Londres. A história dispensa maiores apresentações em relação a enredo, música e emoções.

Porém, este filme traz algo distinto do que já foi feito. Em comemoração ao 25° aniversário da estreia da ópera no “Her Majesty’s Theatre” de Londres, foi gravado o DVD lindíssimo de uma apresentação ao vivo. E o que faz dessa uma apresentação única é a presença de Andrew Lloyd Webbe, músico e compositor teatral, especificamente compositor deste musical.

A homenagem que o elenco faz a ele é lindíssima, a participação de atores renomados, da primeira formação da companhia, e convidados especiais como Sarah Brightman tornou o público que presenciou essa noite, totalmente invejável.

Essa música, cantada pelos vários “Fantasmas” que já passaram pelos palcos de Londres ficou de arrepiar.

Tive o privilégio de ver o filme na única exibição em cinema que houve aqui em La Plata (Argentina), mas confesso que saí de lá morrendo de vontade de comprar o DVD, ou de pegar logo um voo para Londres ou Nova York para ver o espetáculo ao vivo.

Recomendo muito.

Bonequinha de 50 anos – Breakfast at Tiffany’s

O pretinho básico, óculos escuros de última geração, joias, piteira. Tudo a serviço da silhueta esbelta da atriz Audrey Hepburn; de seu carisma de menina-mulher; e de seu talento inesgotável. O filme mais elegante de todos os tempos completou 50 anos este ano: Bonequinha de luxo, que estreou em 5 de outubro de 1961, é marco de uma cidade e de uma era. A cidade, claro, é Nova York, onde ocorreu o lançamento antes de qualquer outro lugar. A era, a virada dos anos 50 para os 60 do século passado, quando a revolução dos valores era irreversível, mas o mundo ainda tentava preservar pelo menos as aparências de que a velha ordem permanecia em vigor. A história demonstra que não adiantou muito, que as aparências ruíram. E Bonequinha de luxo ficou como registro de tudo aquilo, puro glamour a respeito de uma sociedade que apodrecia diante de nós, sem que percebêssemos.

A própria história da produção de Bonequinha de luxo é sintoma daquele confronto entre transformação e aparências. A Paramount queria um projeto moderno, que falasse dos novos tempos, novos costumes, novas pessoas. Seus executivos se encantaram pelo romance que Truman Capote publicara em 1958, Breakfast at Tiffany’s (literalmente, Café da manhã na Tiffany’s). Capote era na época o sujeito que Nova York mais adorava odiar, escritor e jornalista de língua e caneta mais ferinas que os costumes aceitavam, cinismo absoluto, sinceridade incômoda. O estúdio comprou os direitos sobre Breakfast at Tiffany’s porque era o projeto de seus sonhos. Só que havia um problema: era impossível filmá-lo dentro dos padrões morais que Hollywood adotava e que representavam uma espécie de acordo com os espectadores conservadores, suas igrejas, suas “ligas de decência”.

Basta uma sinopse da história para perceber o problema. A heroína Holly Golightly é uma garota de origens interioranas que tenta ascender socialmente em Nova York se ligando às altas rodas. A moça vive precariamente e patrocina sua tentativa de ascensão graças aos favores de homens ricos. Seu grande sonho é se casar com um deles. Capote sempre brincou que Holly não era uma prostituta, mas uma gueixa à maneira japonesa. Mas até essa brincadeira fala, antes de tudo, da dificuldade de estabelecer categorias morais no mundo moderno.

Retrato de época George Axelrod, roteirista de Bonequinha de luxo, é frequentemente acusado de haver diluído a força que tinha Breakfast at Tiffany’s. A acusação é tola. O filme simplesmente não existiria, pelo menos naquela época, se fosse um discurso pelo menos análogo ao de Capote, nas ações que descreve ou nas ideias por trás delas. A crueza e o cinismo do escritor só seriam aceitos pelo cinema comercial quase uma década depois, após John Schlesinger propor algo semelhante em seu melhor filme, Perdidos na noite. Axelrod praticamente reescreveu Bonequinha de luxo, tentando encontrar estruturas que fossem moralmente palatáveis para o público de sua época, sem deixar de significar a realidade cruel de Capote. A mais evidente dessas mudanças é temporal. Enquanto o romance se passa nos anos 1940, época que o público identificava com a “velha América” (ou seja, o autor insinuava que o vício era inerente à sociedade americana e não à mudança nos tempos e nos costumes), o filme traz a história para os anos 1960, o que acabou por configurá-lo como crônica de seu tempo.

Mas há outras diferenças, além das transformações no enredo, como a aura de romance em todas as situações. No fim das contas, Axelrod usou as estruturas que o público médio de cinema conhecia para dizer coisas que ele nunca tinha ouvido. Se o filme é menos ousado que o romance (Capote propôs nova forma para seu novo conteúdo), não é menos eficiente em sua combinação de comédia inteligente, drama de costumes e história de amor.

E há, claro, a música. Uma geração inteira viveu e dançou ao som da canção Moon River, de Henry Mancini. Não queriam ser Holly, mas queriam viver como ela. É daquelas canções que vão além de sua época, e carregam consigo as sensações dela. Ouvir Moon River até hoje é experiência que nos lembra que virão dias melhores, que tudo passa, que nada é tão importante. O mundo pode ser cheio de falhas, não só as evidentes, mas também as que insistimos em esconder. Não importa: enquanto alguém escutar “Moon River wider than a mile, I’m crossing you in style someday”, permitir que o corpo balance na cadência da canção e se deixar transportar em espírito para lugares melhores, será possível olhar para todas as Hollys do mundo com carinho, tolerância, compreensão. E sorrir para elas, e se apaixonar por elas, pareçam-se ou não com Audrey Hepburn.

Por trás do glamour

Poucos filmes têm tantas histórias saborosas de bastidores como Bonequinha de luxo. Um prato cheio para Sam Wasson, autor de Quinta Avenida, 5 da manhã – Audrey Hepburn, Bonequinha de luxo e o surgimento da mulher moderna, que está sendo lançado no Brasil pela Jorge Zahar Editor (268 páginas, R$ 39). O livro traça um perfil de vários personagens em torno do projeto e revela idiossincrasias de Truman Capote (que queria Marilyn Monroe como estrela), da figurinista Edith Head (que teve que engolir a escolha de Givenchy, que se tornou símbolo de elegância com o filme) e do diretor Blake Edwards, responsável, de acordo com o autor, pelas doses de humor refinado do filme. E revela que Audrey, ao contrário da desmiolada Holly, quem diria, se dividia entre o set e o cuidado com a família. Um livro charmoso. Como a fita.

Na memória

Henry Mancini venceu dois Oscars por Bonequinha de luxo: canção (Moon River) e trilha sonora. O filme também foi indicado ao prêmio em outras três categorias: atriz (Audrey Hepburn), direção de arte e roteiro adaptado.

Segundo Truman Capote, a atriz perfeita para interpretar Holly Golightly teria sido Marilyn Monroe. Ela chegou a ser convidada para o papel, mas recusou, temerosa do efeito que uma personagem que praticamente se prostituía teria sobre sua carreira, que àquela altura já balançava.

Bonequinha de luxo marcou o início do apogeu na criação de seu diretor, Blake Edwards (foto). Ele trabalhava na indústria de cinema e TV desde o início dos anos 1950, mas nunca tivera a chance de realizar um projeto de vulto. A partir do sucesso de Bonequinha de luxo, Edwards foi capaz de convencer a indústria do humor, timing e conteúdo crítico de seus filmes. O resultado foram obras-primas como as comédias Um convidado bem trapalhão, A pantera cor-de-rosa e A corrida do século, ou um drama do porte de Vício maldito.

[fonte: divirta-se.uai – Marcello Castilho Avellar – EM Cultura]

Quem matou a Norma?

Você viu quem matou a Norma de “Insensato Coração”?

hahahahaha!

Quer dançar?

Com a notícia de uma possível temporada na terra do tango, a inspiração dessa semana vem da Argentina.

Para quem gosta de de filmes de dança e/ou tango, aqui vão, na minha opinião, as cenas clássicas da dança no cinema. Vale a pena ver. 😉

Vem Dançar – com Antônio Banderas

Dança Comigo – com Richard Gere e Jennifer Lopez

(e a cena que me encantou quando criança e fez eu me apaixonar pela Argentina):

Perfume de Mulher – com Al Pacino

E aí, gostaram?

Esqueci de algum que vocês acham que deveria estar aqui? Aceito sugestões.

Abraços

¡Hasta!

Poltrona Rosa – Novelas – Cordel Encantado

Inaugurando hoje um novo tópico, o “Poltrona Rosa” numa clara alusão à poltrona da sala de estar, diante da televisão. Aqui pretendo falar disso mesmo, programas de TV.

E não podia ser diferente, tinha que começar com novelas.

Já faz um bom tempo penso em comentar da novela das 6 aqui, mas nunca tinha tempo para fazer um post bem feito.

Já viram Cordel Encantado? Eu me apaixonei pela novela desde quando comecei a ouvir os primeiros boatos de como seria a novela que substituiu Araguaia (que por sinal achei terrível).

A proposta é ótima, e o nome bem sugestivo e esclarecedor Cordel (da literatura de cordel, aqueles livrinhos encontrados mais no nordeste do Brasil) Encantado (em alusão aos contos de fadas). – isso não é informação oficial, mas eu peguei o recado rsrs-.

É bem fácil notar essas características, a começar pela abertura, que tem aquelas ilustrações bem clássicas da literatura de cordel.

E também, pelo enredo, você tem a clara sensação de já ter visto esta história antes. Olha só:

Da “Branca de Neve” = A madrasta má que quer acabar com a vida da princesa – Duquesa Úrsula (Débora Bloch)

De “Anastácia” = A princesa que cresce longe da família e não sabe de sua nobreza – Açucena/Aurora (Bianca Bin)

De “Cinderela” = A pobre serviçal que se apaixona pelo nobre rei/príncipe – Maria Cesária (Lucy Ramos) e o Rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia). E também, a ideia do baile em que são convidadas todas a moças do reino.

De “Romeu e Julieta” = As duas famílias que se odeiam impedem o casal de ficar junto – Jesuíno (Cauã Reymond), noivo de Açucena, é filho do cangaceiro que no começo da novela, foi o “responsável” pela morte da rainha e quase-morte da princesa.

Do “Homem da máscara de ferro” = o vilão trancafia alguém por anos a fio em uma máscara de ferro, para que ninguém fale com ele – Duque Petrus (Felipe Camargo).

E a cada dia vai aparecendo mais enredos clássicos. Mas nem por isso a novela fica ruim, pelo contrário, dá uma leveza, você já sabe como vai terminar, mas ao mesmo tempo, dá vontade de acompanhar o trajeto até lá.

Além disso, a fotografia é linda, todo mundo com quem converso concorda com isso. E os cenários e figurinos estão lindos também, muito bem feitos. Mais uma vez, a Globo arrasou, e se deu muito bem pra levantar o horário das 6.

De qualquer forma, a história é uma graça, cheia de romance, aventura, comédia e tudo mais pra uma novela ficar boa. Pena que não posso acompanhar, por um pequeno problema de falta de tempo, mas sempre que posso corro pra assistir.